Origens da música erudita no Brasil

músicos tocando música clássicaTal qual grande parte da cultura brasileira, praticamente todos os componentes da formação da música erudita no país foram herdados de fora. Durante muitos séculos, foi a Europa que ditou as tendências musicais no Brasil. Depois, com a confluência étnica bastante variada, incluindo contribuições de indígenas, africanos, colonizadores e imigrantes, surgiu o perfil cultural brasileiro.

Música erudita

Durante o período colonial do Brasil, o ensino da música esteve sempre muito presente nas casas da Companhia de Jesus, que procurava catequizar os nativos. As práticas musicais e o teatro musical estavam entre algumas das obrigatoriedades impostas pelos jesuítas, na pretensão de disseminar a cultura ocidental. Antes do chamado barroco mineiro, Pernambuco e Bahia já eram locais com considerável desenvolvimento dos estudos musicais. O compositor clássico Haydn foi uma das maiores referências para o surgimento de mestres brasileiros. As primeiras obras surgiram com base no tratamento de textos litúrgicos. Curiosamente, a música sacra acabou determinando uma vertente tipicamente brasileira: a modinha. O autor do hino nacional brasileiro, Francisco Manuel da Silva, já em outra geração, também foi influenciado por esta transformação, tendo escrito músicas religiosas para o teatro e modinhas bastante populares. No final do século XIX, a música sacra perdeu a força de sua influência para a ópera italiana, que inspirou um dos maiores compositores brasileiros: Carlos Gomes. Suas obras mesclavam o romantismo europeu com traços claramente brasileiros. Até a Semana de Arte Moderna de 1922 foi mantido o espírito de tentativa de buscar a identidade cultural brasileira e diversos compositores passaram a explorar cada vez mais o folclore, já muito presente na literatura da época.

Escola nacionalista

As composições com preocupação nacionalista surgiram em meados do século XIX, com o emprego de temas originais e de melodias autenticamente populares. Na época, entretanto, ainda era bastante grande o número de compositores que se mantiveram fieis e submissos aos moldes europeus. Richard Wagner e Franz Liszt despontavam como nomes a serem seguidos. A escola nacionalista de composição encontrou maior força com a chegada do século XX, sendo a mais importante da música brasileira. O nome central desta fase é Heitor Villa-Lobos, que conseguiu reconhecimento internacional após adotar as técnicas de vanguarda da Europa e incrementá-las com a valorização da cultura brasileira. Sua riqueza de criação, mesclando o simples e o refinado, resultou no primeiro conjunto de obras com uma cara verdadeiramente nacional. Após Villa-Lobos, o cenário musical erudito no Brasil passou a contar com bons e importantes nomes. O público restrito e a pequena divulgação da arte, no entanto, infelizmente não lhes conferem o devido reconhecimento.

Foto. Vladimir Fedorov – Fotolia
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